domingo, 30 de outubro de 2011
Meus carnavais...
domingo, 16 de outubro de 2011
Até o fim
decerto não era eu.
Era minha alma gritando por você.
Por algum pedaço seu que pudesse ter ficado em mim.
A saudade dos olhos pequenos,
das tardes jogadas no vento.
As lembranças que insistem em não ir embora,
assim como o gosto do seu beijo.
O desejo se mistura ao medo,
a vontade ao acaso.
Do reencontro a ansiedade,
de mais uma vez abraçar
e quem sabe, estar nos seus braços, até o fim.
quinta-feira, 6 de outubro de 2011
Ser no passado
segunda-feira, 19 de setembro de 2011
Preyssac
Ela abriu os olhos, era noite de inverno na pequena cidade no sul da França. O telhado do terceiro andar da casa parecia que entrava pelo quarto lilás. No chão revistas, vinis e alguns recortes de roupas que ela sonhava um dia fazê-las.
Levantou e foi devagar, sem fazer barulho, lavar os olhos no banheiro.
Como ela amava aquele banheiro que ela mesma tinha montado. A louça da pia branca combinando com a banheira de estilo antigo que ficava no canto perto da janelinha que dava para o jardim.
A casa era tão grande quanto seus sonhos de um dia conhecer cada canto do mundo.
Desceu as escadas pé ante pé, para que ninguém acordasse, vestiu o pesado casaco que ficava pendurado na porta e saiu pelo portão de madeira na lateral da casa. Quase pisou no rabo do cachorro que estava deitado na rua. Andou pelas estreitas ruas de pedras e sentou na beira do lago congelado que refletia pequenos pontos luminosos da lua cheia.
Pegou uma folha congelada e ficou pensando no calor do hemisfério sul.
Sentia saudade do clima alegre dos trópicos.
Levantou suspirando, contornou o lago e voltou pelas vielas, cobertas pela neve. As chaminés das lareiras anunciavam vida naquele dezembro solitário.
Voltou para casa, subiu para seu quarto e jogou o pesado casaco no canto da prateleira.
Deitou, olhou para o teto que parecia entrar no quarto lilás e dormiu.
terça-feira, 13 de setembro de 2011
Quatro cantos
Quatro lados tem um quadrado e um quarto.
Cada quarto tem quatro cantos, para você chamar de seu.
Cada canto uma história, ou várias histórias.
Segredos, inseguranças, medos, felicidades.
Seu canto é seu refúgio e ninguém tasca.
É seu poço dos desejos, pote no final do arco-íris...
É onde você sonha, acorda e vê que foi só um sonho
Ou é onde começa o trabalho pela busca desse sonho do qual você acordou.
Seu canto é seu meio, inteiro, sei lá.
Seu canto é meu, seu, nosso?
Nosso canto, seu canto, meu, meu, meu o que?
Acho que estou delirando como no sonho que tive no meu canto.
Meu ou seu?
Sei lá.
quinta-feira, 4 de agosto de 2011
Falta um tanto ainda sei...
domingo, 17 de julho de 2011
Pequeno
Um abraço aconchegante e o mundo poderia parar ali.
Muitos quilômetros e meses depois
A saudade da terça de carnaval.
Não sei se foram as conversas, a simplicidade...
ou o único beijo interminável.
Na volta era só eu
Meu pensamento vagava entre as ruas de Salvador
procurando algum resquício de você que eu pudesse
por na mala.
Uma semana depois eu 'desejando nós gastando o mar' e a certeza de que sumiríamos no mundo.
Pra nos encontrarmos em fevereiro, quem sabe...
E eu olhar para esses olhos, ilegais...
É infinito o querer....
Foi só amor de carnaval
(talvez seja esse o mal)
amor de carnaval não é rocha
não é lágrima, não é aposta
é quase nada
é só amor.
E não há quem ouse dizer que não
Quem prefira a solidão
Numa dessas noites de serpentina
De pierrots, de bailarinas
Não há um que não tenha par!
E quando chega a quarta-feira
E as luzes se acendem na avenida
Eu ali! Tão distraída...
"Acabou! Só ano que vem"
Ainda fica alguém?
Em agosto os confetes já não tem graça
Já não tem o mesmo gosto a cachaça
Em setembro talvez.
Amor de carnaval (talvez seja esse o mal)
Nunca vem só uma vez.
(Roberta Barcellos)
Como é bom ser criança...
Quando eu vejo os desenhos, os brinquedos, tem aqueles videos dos anos 80, eu me emociono com tudo porque fui uma criança muito feliz.
Hoje eu vejo com um certo receio essa infância, os valores são outros, não sei porque trabalho em escola pública com as mais diferentes crianças e diferentes personalidades, mas era tudo mais puro, mais fantástico, mas mágico.
Hoje as crianças de 5 anos sabem que não existe papai noel. Eu lembro que no quintal da casa da minha amiga a gente fazia fazendinha, criava brinquedos, fazia roupas de boneca com papel...
Corria na rua, subia em árvore. Ia na pracinha sem medo de ser assaltado.
Eu sempre gostei muito de axé. O ínicio da banda eva com a ivete, marcia freire comandando a banda cheiro de amor, daniela mercury, asa e chiclete, ricardo chaves.
Minha mãe me acostumou a ouvir MPB desde pequena.
Foi uma fase maravilhosa, que tenho uma saudade imensa. E vou me emocionar quantas vezes eu ver coisas que me lembrem essa fase dos meus primeiros 15 anos.
Quando eu era pequena minha mãe cantava 'Gatinha manhosa' pra eu dormir, e a Calcanhotto (que alias eu passei a gostar por conta da minha madrinha) regravou no disco Partimpim e minha mãe me deu de presente de dia das crianças esse Cd. Choro toda vez que escuto a música.
Muitas saudades e o tempo passa tão rápido que se não aproveitarmos cada minuto de nossas vidas podemos nos arrepender depois.
Tinha uma música na novela Carrossel que o título é o título do post de hoje...
Hino à criança
Composição: João Plinta/César Rossini
(Grupo Papillon)
Como é bom
Ser criança
Ficar na barriga
E depois nascer
Como é bom
Ser criança
Conhecer o mundo
E poder viver
Que pena a gente
Tem que crescer
Oooh
Criança
Sempre eu quero ser
Pra ficar brincando
Pra ficar sonhando
E voar
Lá no azul do céu
Eu quero ser
Uma estrela pequenina
A brilhar
Pra te iluminar
Ah
Se eu pudesse ter
A magica
Eu fazia todo mundo
Mais feliz
Muito mais feliz
segunda-feira, 11 de julho de 2011
Saudade
Agora que o verão passou,
Agora que céu já mudou de cor
Agora que o Carnaval terminou,
Quando eu vou te ver amor?
Foi bom te conhecer,
Pelas ruas encontrar você
Estou contando os dias pra te ver.
Te vejo no ano que vem,
Boa viagem
Vê se pensa em mim também,
Boa viagem
Me liga sempre que puder,
Vou te esperar ano que vem
Se Deus quiser.
(Jammil)
quinta-feira, 30 de junho de 2011
Arpoador
Eu sentava quase toda semana ali
Sempre as 6:30 da manhã
quando o sol ainda estava esquentando
Os Dois Irmãos acordando, a cidade começando a se movimentar
ficava vendo o movimento das ondas
os pássaros na sua migração natural, uma brisa serena.
A paz eu encontrava nos 2o minutos que eu ficava ali.
Depois ia tomar uma água de coco e estava pronta para vida.
Hoje era um dia que eu precisava fazer isso.
Minhas respostas vinham fáceis naquelas águas.
Pra que tantas perguntas?
quarta-feira, 29 de junho de 2011
Inverno
neblina cegando os olhos e marcando o coração
Palavras ditas sem nenhum medo
gestos estranhos e um olhar distante
Saudade do medo
medo do sentimento
A vontade de melodias que encaixem no enredo
ou seria de respostas que encaixassem na poesia?
Frio na alma.
sexta-feira, 24 de junho de 2011
Nem tudo é...
Partimos sem direção, e nosso foco entrelaça com as adversidades, esperamos muito do outro, e não temos nem a metade.
Dividimos, compartilhamos. e em troca nada.
Não que esperamos algo, mas que o nunca se torne alguma coisa.
Estamos sós mas desejamos união. Amizade, companheirismo.
É o dar sem receber, mas o que devemos compartilhar não existe.
Individuldade, incredulidade,
falta de...
falta dos...
falta.
Tudo, muito, aquilo que doamos sem cobrar
Aquilo que esperamos sem pedir.
não enxergamos ou não queremos ver.
acreditar ou não,
esperar pra que
se tudo vai continuar como está, e você?
espera o que?
Acordar
segunda-feira, 20 de junho de 2011
Traços
sábado, 11 de junho de 2011
Ensaio sobre a sinceridade
Acontece que os solteiros gostariam sim, de ir jantar fora ou ter uma noite romântica nesse dia, raras excessões que realmente não tem esse desejo, a ampla maioria queria ter alguém pra dividir não só esse momento como tantos outros.
Quem não tem mãe no dia das mães, lembra que poderia ter. Quem não tem pai, no dia dos pais fica meio 'borocoxô' e quem não plantou uma árvore no dia da árvore... ok, exagerei.
O que eu quero dizer é que fica uma hipocrisia em se mostrar forte, em mostrar que não temos vontades, que não queremos trocar o 'single' do facebook pelo 'is in a relationship'.
Enfim, sejamos sinceros com nossos sentimentos. Se o mundo não está preparado para sua, digamos, franqueza, pelo menos você não estará se enganando e se iludindo com um sentimento que não é seu.
domingo, 29 de maio de 2011
Por um pouco de Mário Quintana
Não pertence ao Tempo... Em seu país estranho,
Se existe hora, é sempre a hora extrema
Quando o anjo Azrael nos estende ao sedento
Lábio o cálice inextinguível...
Um poema é de sempre, Poeta:
O que tu fazes hoje é o mesmo poema
Que fizeste em menino,
É o mesmo que,
Depois que tu te fores,
Alguém lerá baixinho e comovidamente,
A vivê-lo de novo...
A esse alguém,
Que talvez ainda nem tenha nascido,
Dedica, pois, os teus poemas.
Não os dates, porém:
As almas não entendem disso...
(Data e Dedicatória)
-> Lembrei desse poema porque a Pri me deu a sugestão um dia de colocar datas naquilo que eu escrevo e que sempre me esqueço de fazer.
Pri, obrigada pela sugestão. Mas acho que vou continuar esquecendo, agora propositalmente.
sábado, 7 de maio de 2011
Sobre a economia do cotidiano...
Eu queria ser jornalista. Trabalhar com jornalismo esportivo e cobrir os panamericanos, olimpíadas, copa do mundo e jogo de peteca na esquina. Enfim cresci, fiz faculdade de Educação Física, hoje trabalho em dois municípios em escola (coisa que eu, particularmente, não gosto - prefiro academia) mas por ter feito por fazer os concursos e passado em 5 deles, não quis jogar fora, afinal, ninguém tá podendo jogar um dinheiro que virá fixo todo mês na sua conta, por emprego privado, quanto mais em academia que de uma hora pra outra eles te descartam feito papel.
Resumindo: 26 anos, 2 empregos públicos e 1 particular entre 3 cidades diferentes (Macaé, Cabo Frio e Santa Maria Madalena), acordando de segunda à sexta as 5 da manhã e indo dormir 11:30 da noite, trabalhando 57 horas semanais e recebendo por hora de trabalho 8 reais no final das contas.
Segunda, terça e quarta eu acordo as 5:30 arrumo minhas coisas e saio as 6 hs de casa, levo 1 hora pra chegar à escola que trabalho, dou aula de 7:30 às 14hs, saio de lá dirijo mais 1 hora e pouca pra estar no outro trabalho as 16hs e vai até as 21. Quinta e sexta acordo às 5, saio de casa 5:30 pra estar na escola, que fica a 60km de distancia 7:20, trabalho até as 18hs e chego em casa 21hs de sexta-feira.
Preciso de um carro porque minhas idas e vindas não tem como ir de ônibus porque o sistema de transporte público em Macaé e região não se compatibiliza com horário de entrada nos trabalhos, e como pagar a prestação de um carro, se em suas contas, não tem um mínimo pra dar de entrada, e as prestações, nesse caso vão lá pra uns 800 reais. (tô com carro emprestado do meu irmão) E A GASOLINA TÁ 3,10. Carro não é luxo pra mim, é necessidade. Tanto é que nos finais de semana, eu vou para os lugares de ônibus e deixo o carro em casa.
Além disso você precisa parar de morar de favor (afinal, favor que passa de um ano não é mais favor, é abuso) e alugar um espacinho pra você. Coisas básicas como carro + casa que você precisa pra viver consomem seu salário todo. E você come com o que? Paga o resto das suas contas como?
Conversas como ter que trabalhar pra ter suas coisas e fazer suas viagens só funciona pra quem ganha mais de 4 mil reais. Afinal, prestação de carro e casa pegam seu salário todo.
Conselho pra quem tem filho em época de vestibular: fale pra ele fazer o sonho dele de faculdade depois de uns 10 anos de formado em alguma área que dê dinheiro. Pra ele poder curtir esse sonho de um modo que não precise passar por perrengue pra conquistar as coisas.
Tudo bem que muita gente que tem essa idade que eu tenho, não tem muita coisa, mas você olhar a sua vida e ver que você não tem nada seu, conquistado por você, de material para poder levar sua vida, fazer a decoração que você quiser na SUA casa, ter SEU carro e poder pagar por ele com tranquilidade...
Desabafos de quem anda confusa com tantos números pra pagar e menos da metade deles no contracheque.
quinta-feira, 14 de abril de 2011
Pronta para hora do sim
E por mais que nós mulheres tenhamos um discurso de que agora somos nós no comando, somos racionais etecetera e tal, não passa de uma auto-enganação.
Aconteceu no carnaval, fiquei por ficar com um garoto na terça-feira afinal era carnaval, na mesa do bar na quarta-feira de cinzas estava eu falando toda cheia de mim que estava numa fase muito racional, que procurava ver bem onde eu estava pisando em termos emocionais e na quinta-feira estava toda apaixonadinha pelo tal garoto.
Na verdade o que nós queremos é sempre estar pronta pra hora do sim, pra hora de namorar, de estar com alguém, de se preocupar com alguém... na verdade, de deixar nossa 'liberdade' pela liberdade de duas pessoas.
De aprender que relacionamentos não são perfeitos, que príncipe encantado são sapos e que a gente acaba aprendendo com tudo isso e por que não não ter medo... e se arriscar.
Escrevi um monte de besteiras que daqui a pouco vou falar 'ih eu tava na TPM' quando escrevi isso... ou não. As vezes tô realmente aprendendo... quem sabe... !?
segunda-feira, 11 de abril de 2011
'Asas' - Ramon Matheus
Acho que nunca esperei tão ansiosa pelo lançamento de um cd. Além de muito talentoso é um amigo que sempre batalhou muito por esse sonho musical... e que talento, que compositor.
Suspeita? Claro. Mas acima de tudo eu gosto de boas músicas e sou obrigada a compartilhar com vocês minha felicidade em ver esse sonho concretizado.
Conheci o Ramon em Campos durante uma apresentação do grupo de forró pé de serra do qual ele fazia parte chamado forró de 3. Tinham algumas composições do qual uma delas foi finalista do Festival de Forró de Itaúnas, no Espírito Santo. Depois disso veio o Bloco 4 e a Caixa de Barulho, projetos voltado pro pop-rock que deu bastante certo em um determinado tempo, mas a busca por descobrir o ritmo ou o lado musical no qual se encaixasse mais com seu gosto e estilo. Dei a maior força quando ele foi pro Rio e acredito que a pilha foi certeira. Lá ele encontrou o 'bando' e começou a tocar no 'Capim Limão' na barra, onde uns outros amigos meus tocavam e se instalou realmente nas noites da Lapa no 'Mofo'.
Determinação, garra e vontade de sobra não faltam. Um compositor maravilhoso em que fatalmente, as músicas são apaixonantes.
Tô muito feliz e radiante com isso tudo que vem acontecendo na vida dele e quero dizer ao meu amigo-irmão que torço infinitamente pelo seu sucesso e no que depender de mim, estamos juntos sempre.
Então galerinha, não deixem de conferir o lançamento virtual do disco no dia 15/04 as 0h no site http://www.ramonmatheus.com
terça-feira, 5 de abril de 2011
Moneno
quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011
sábado, 29 de janeiro de 2011
A ordem a partir do caos – ou a tentativa de... [Ajuda à Nova Friburgo]
No dia 16 de janeiro de 2011, após a maior tragédia natural da história do país que atingiu a região serrana do Estado do Rio de Janeiro, um grupo de pessoas de uma torcida organizada do Flamengo, denominada Urubuzada, resolveu unir esforços para levar um grande número de voluntários à Nova Friburgo, inclusive essa que vos escreve. Ao todo 42 pessoas.
No dia anterior, foi feita uma visita à sede da Cruz Vermelha na cidade do Rio de Janeiro no intuito de pegar donativos para ajudar no transporte, fato que a própria organização afirmou ter dificuldade no escoamento das doações e pela falta de transporte que levasse à Serra.
Foi feita a separação do material e do domingo de manhã, subimos. Na subida estávamos todos contentes por ajudar, e quando chegamos lá e pegamos um dos nossos, que mora na mesma cidade para nos guiar, ele subiu no ônibus e disse a seguinte frase ‘tem muita gente sem casa, muita gente morta, muito obrigado pela ajuda’. A partir daí nós demos conta da seriedade do trabalho e do quanto iriamos enfrentar em termos de desgaste físico e emocional. Logo na chegada à cidade, dava pra ver vários barrancos caídos e se observássemos em cima dos morros mais altos, deslizamentos maiores.
Chegamos em uma indústria onde fica parte do recebimento de doações. O local tem muitos galpões. Fomos recebidos por um secretário da prefeitura e um agente da defesa civil além de muitos outros voluntários que estavam lá. Ao todo não passavam de 20.
Tinha um galpão só com água, o outro onde faziam a montagem das cestas básicas e um outro ainda com caixas de leite, alimentos em caixas, roupas e brinquedos. Cada voluntário foi cadastrado e logo percebemos uma burocracia e uma desorganização na parte de liderar a equipe de trabalho. Na verdade, ficamos uns 40 minutos sem fazer nada, contanto que tinha muito a ser feito e ninguém resolvia por onde começar.
Como levamos um caminhão de donativos, foi escolhido a primeira equipe que iria as comunidades mais necessitadas cerca de 8 pessoas em 1 caminhão e 2 kombis repletas de doações. 5 minutos depois de saído o caminhão com os donativos, parou um carro com 2 homens querendo alimentos, e com o coração muito apertado, dissemos que o caminhão já tinha ido. E como não tínhamos autorização ainda pra pegar nada nem realizar nenhum trabalho no interior do centro de recebimento de donativos, pedimos desculpas àqueles homens que vieram em um carro coberto de lama.
Resolvido o que faríamos, começamos a fazer a corrente de voluntários para encher as kombis de caixas de leite que seriam destinadas às escolas municipais de diversos bairros. Nesse meio tempo, chegaram 2 caminhões do exército para ajudar no escoamento das doações. Quando terminamos de encher 2 kombis, o secretário disse que não poderíamos sair sem contar o número de caixas de leite que foram postas em cada kombi. Por mais que seja necessário a organização para que o MP ou qualquer outro órgão não acuse de estar desviando donativos ou qualquer outra coisa, a necessidade de voluntários para ajudar a carregar era muito pouco e queríamos otimizar o tempo em que estávamos lá. O nosso pensamento era ‘Ora se a demanda de necessitados é enorme, os voluntários pouco e os donativos muitos, quanto mais rápido melhor’. E a burocracia ? A gente só lembrava daquela frase ‘Quem tem fome tem pressa’.
Fui em uma das kombis em direção a uma escola num bairro que aparentemente não sofreu nada mais grave com as chuvas, conversei com o motorista e perguntei se não havia localidades que necessitavam mais do que aquela. Ele me relatou que não sabia porque estavam mandando aqueles donativos pra lá se tinha outros bairros mais afetados que, provavelmente, as doações que chegaram lá há uns 4 dias já teriam acabado. A única desculpa que ele aceitaria era por conta dos estoques dos supermercados, mas que mesmo assim isso não teria muito nexo. Ele reclamou também da burocracia necessária pra liberar os donativos das centrais.
Reparei que muitos voluntários estavam lá pra se sentir heróis, queriam fazer coisas enormes enquanto que o que a cidade mais necessita é de gente para carregar e descarregar caminhões e ainda mais importante, separar cestas básicas e organizar os donativos.
Voltando à central de recebimento, fui para uma sala onde as pessoas estavam montando as cestas básicas. Ficavam dois voluntários na ‘montanha’ de arroz, dois na de feijão e assim por diante. E os demais voluntários iam passando com os sacos pelas ‘estações’ de comida até montar a cesta básica inteira. Foi o meio mais eficiente para montarmos mais, em menos tempo. O trabalho só foi interrompido quando um dos mantimentos se esgotou.
Continuamos no carregamento dos caminhões do exército e das kombis de água e leite. Não sei ao certo quantos litros d´água nem quantas caixas de leite colocamos nos veículos, mas posso garantir que esvaziamos bem os galpões.
Depois do último caminhão do exército na Usina em que estávamos, ficamos sabendo que estavam precisando de gente para ajudar no estádio do Friburguense (outra central de recebimento de doações). Chegando lá, tinham duas filas da população local fora do ginásio esperando para receber seus mantimentos, água e roupas. Entrei no ginásio e vi uma cena da qual jamais me esquecerei. A quadra do ginásio repleta de roupas e calçados jogados por pilhas (feminino, masculino, calçados, brinquedos) e a arquibancada cheia de sacolas ainda fechadas de roupas. As pessoas iam entrando no ginásio em número de 5 e iam recolhendo o que lhes interessava, notei que muitos nem precisavam, outros pegavam mais de 4 sacos de lixo cheio de roupas. Mas a sensação que dava era de uma desumanização imensa. Me vinha a imagem de catadores de comida em um lixão. Pior ainda foi ver a cena de pessoas bebendo cerveja e tomando banho de piscina no clube enquanto a cidade necessita tanto de voluntários para trabalhar e ajudar aqueles próprios vizinhos ou amigos que perderam tanta coisa.
Conversei com um voluntário que estava na porta, perguntei como eles faziam para ajudar àquelas pessoas que faziam filas ali e se ainda tinha muita gente que ia naquele local procurar doações. Ele me relatou que na semana anterior, as pessoas estavam muito desesperadas, brigavam na fila, estavam impacientes mas que a quantidade de voluntários era muito pequena. Avistei duas mães entrando no ginásio e perguntando se tinha fralda. Um único pacote foi divido entre as duas.
Terminamos de carregar os caminhões mas ainda tinha espaço em um deles e voltamos pra usina pra ajudar a carregar com mais água.
Notei que no final do dia, as pessoas que estavam liderando as equipes não queriam mais mulheres ajudando e isso me fez sentir inútil, por mais que eu insistisse. E ainda tinha muita disposição pra tal. Muito mais do que muito homem que estava por ali ajudando. Depois de algumas horas ajudando, parar foi terrível. Ver aquele monte de coisa pra ser feita e ficar sentada foi agonizante. Mas havia uma hierarquia naquele grupo e infelizmente, eu fui obrigada a abaixar a cabeça. Foram 6 horas de trabalho e nenhuma sensação de dever cumprido. Queria ajudar mais, não queria ir embora, vendo tanta coisa pra fazer. Dever cumprido seria se quando eu colocasse a cabeça na poltrona do ônibus, expressasse um sorriso, mas pelo contrário, as lágrimas desceram junto com a sensação de que faltava muito mais.
quarta-feira, 26 de janeiro de 2011
Bailarina
Somos.
O gato
quinta-feira, 13 de janeiro de 2011
Pela metade
Daquilo que éramos ou pelo que fomos.
Dos desejos que ainda restam, sobrou o inteiro.
Dos beijos, abraços e silêncio.
Das circunstâncias que ainda restam, sobrou o medo.
A vontade, o tempo, as promessas.
Dos encontros que ainda restam, sobrou a saudade.
E a dúvida dos próximos dias...